IBS e CBS: o que são, quais tributos substituem e como será a transição da Reforma Tributária do Consumo
- Laurien Getelina

- 6 de fev.
- 3 min de leitura

A Reforma Tributária do consumo representa uma das maiores mudanças no sistema fiscal brasileiro desde a Constituição de 1988. Instituída pela Emenda Constitucional nº 132/2023 e regulamentada principalmente pela Lei Complementar nº 214/2025, ela cria um novo modelo de tributação baseado em um IVA dual — composto pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços).
Neste artigo você vai entender, de forma clara e estratégica:
O que são IBS e CBS
Quais tributos serão substituídos
As principais legislações aplicáveis
A linha do tempo completa da transição até 2033
O que as empresas precisam começar a fazer desde já
O que são IBS e CBS?
O novo modelo brasileiro segue a lógica do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), adotado pela maioria dos países desenvolvidos. A proposta é simplificar a tributação sobre o consumo, reduzir cumulatividade e tornar o sistema mais transparente.
CBS – Contribuição sobre Bens e Serviços
Tributo federal que substitui contribuições atuais sobre consumo, com regras padronizadas de apuração e crédito.
Substitui principalmente:
PIS
COFINS
Parte do IPI (exceto casos específicos)
IBS – Imposto sobre Bens e Serviços
Tributo compartilhado entre estados e municípios, com gestão unificada por um Comitê Gestor.
Substitui principalmente:
ICMS
ISS
O objetivo é unificar a tributação sobre consumo em um modelo não cumulativo, com crédito financeiro amplo e incidência no destino da operação.
Principais legislações da Reforma Tributária do Consumo
A implementação do IBS e CBS está estruturada em diversas normas legais. As principais são:
Emenda Constitucional nº 132/2023
Cria o novo sistema tributário sobre consumo
Institui IBS, CBS e Imposto Seletivo
Define regras gerais e diretrizes da transição
Lei Complementar nº 214/2025
Regulamenta a CBS, o IBS e o Imposto Seletivo
Estabelece regras de apuração, crédito, incidência e obrigações acessórias
Define etapas iniciais de implementação do novo modelo
Leis complementares posteriores (ex.: LC 227/2026 e outras regulamentações)
Detalham aspectos operacionais, administrativos e de gestão do IBS
Tratam do Comitê Gestor e regras específicas de funcionamento do sistema
Como funcionará o modelo do IVA dual
O sistema brasileiro adotou o formato dual, dividido entre:
CBS (federal)
IBS (estados e municípios)
Apesar de serem dois tributos distintos, terão:
Base de cálculo semelhante
Regra de crédito financeiro amplo
Apuração integrada
Sistema eletrônico centralizado
Essa padronização busca reduzir litígios fiscais e simplificar a conformidade tributária das empresas.
Linha do tempo da transição da Reforma Tributária (2023 a 2033)
A transição será gradual e ocorrerá ao longo de aproximadamente 8 anos.
O Início:
2023 – Marco Constitucional
Promulgação da EC nº 132
Criação do novo sistema tributário do consumo
2024 e 2025 – Regulamentação
Aprovação das leis complementares
Publicação da LC nº 214/2025
Definição de regras operacionais do IBS e CBS
A Transição:
2026 – Ano de testes operacionais
IBS com alíquota teste de 0,1%
CBS com alíquota teste de 0,9%
Valores compensáveis com tributos atuais
Obrigação de adaptação tecnológica e fiscal das empresas
2027 – Início da implementação efetiva
Extinção do PIS e da COFINS
Entrada plena da CBS
Instituição do Imposto Seletivo
2029 a 2032 – Transição do ICMS e ISS para o IBS
Substituição gradual:
2029 – IBS assume 10% da carga
2030 – 20%
2031 – 30%
2032 – 40%
Enquanto isso:
ICMS e ISS são reduzidos proporcionalmente
2033 – Novo sistema plenamente vigente
Extinção definitiva do ICMS e ISS
Modelo IBS + CBS em vigor integral
Conclusão da transição tributária
Impactos práticos para empresas e contadores
A implementação do IBS e CBS não é apenas uma mudança de tributos — ela altera profundamente a lógica operacional das empresas.
Principais impactos esperados
Revisão de preços e margens
Mudanças na estrutura de contratos
Novos layouts e campos em notas fiscais
Adaptação de ERPs e sistemas fiscais
Nova lógica de créditos tributários
Reavaliação de cadeias de fornecedores
Além disso, a nova sistemática de crédito vinculada ao pagamento do imposto pelo fornecedor exige maior controle financeiro e operacional.
O que as empresas devem fazer desde já
Mesmo com a transição gradual, o período de adaptação começa imediatamente.
Recomendações práticas:
Mapear operações e impactos tributários
Revisar sistemas fiscais e ERP
Treinar equipes contábil e financeira
Simular carga tributária futura
Avaliar contratos e estrutura societária
Planejar fluxo de caixa considerando o novo modelo
Empresas que começarem a adaptação cedo terão vantagem competitiva durante a transição.
Conclusão
O IBS e a CBS representam a maior transformação da tributação do consumo no Brasil nas últimas décadas. A transição até 2033 permite adaptação progressiva, mas exige planejamento desde agora.
Mais do que uma simples mudança de impostos, trata-se de uma nova lógica de apuração, crédito e gestão tributária — que impactará diretamente custos, preços e estratégias empresariais.
Empresas que acompanharem de perto a evolução legislativa e investirem em planejamento tributário e tecnológico estarão mais preparadas para operar com segurança e eficiência no novo sistema.
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